Daquela reunião, no dia 10 de novembro, decidiu-se que os militares liderados por Deodoro da Fonseca fariam o movimento de rompimento com a monarquia. Apesar de os republicanos paulistas representarem uma parcela importante de oposição à monarquia, eram os militares, sediados na capital imperial e bastante descontentes, que fizeram a ação definitiva, pondo fim à Monarquia no Brasil. Aqui é importante salientar que os militares haviam planejado o golpe para o dia 20 de novembro.
É na madrugada de 15 de novembro que boatos sobre prisões de líderes republicanos chegam aos ouvidos de Deodoro, que se convence da necessidade de retirar Ouro Preto da presidência do Conselho de Ministros em razão da prisão iminente de Sólon Ribeiro (o que se mostrou pura boataria mais tarde). Então, no Paço do Ouvidor (atual Praça da República), na capital, Deodoro partiu com alguns militares e membros da Marinha e, ao se concentrarem na praça, juntaram-se a outros republicanos como Quintino Bocaiúva e Benjamin Constant. De lá, por volta das 9 horas da manhã, Deodoro manda comunicar a Ouro Preto que seu governo fora destituído e que ele deveria se retirar da sede do governo. Somente às 11 horas, entendendo o que acontecia, Ouro Preto telegrafa para o imperador (que estava em Petrópolis) e solicita a sua vinda para a capital de forma imediata. A família real, em peso, chega ao Paço às 15 horas, esperando uma reunião com Deodoro. Mal sabiam eles que Deodoro passou mal e foi para casa, meio que debilitando as ações dos republicanos.
Durante aquela tarde, Benjamin Constant articulava com as forças da Marinha e conclamava a população pedindo apoio, enquanto outras lideranças, como José do Patrocínio (vereador da capital), lançavam um projeto de apoio à queda da monarquia pela Câmara dos Vereadores, apoiado por diversos populares. Ah, quando falo do povo e de apoio popular, quero lembrar que grande parte do relato do golpe e da proclamação veio de jornais republicanos, que omitiram a fraqueza de Deodoro e exaltaram a participação popular; mas evitemos pensar em um Deodoro imponente e uma população participativa e decisiva: ela foi meio que uma massa de manobra.
Bom, chegamos às 17 horas, quando a família imperial jantava, abastecida pelo Hotel do Globo, esperando, é claro, uma reunião com Deodoro e a formação de um novo governo. Mas Deodoro não aparece; ele nunca mais vai falar com D. Pedro II. Às 18h30, Ouro Preto é preso provisoriamente, quando as lideranças republicanas suspeitam que ele articulava outro gabinete para o Império junto aos liberais. Essas lideranças republicanas, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Botelho Magalhães e Deodoro da Fonseca, observaram certo apoio popular ao marcharem pelas ruas da capital e, assim, às 19 horas, um oficial proclamava pelo Rio de Janeiro: “O general Deodoro manda dizer que o povo pode ficar tranquilo. A cidade está entregue à guarda do 7º Batalhão de Infantaria e morrerá o ousado que tentar arrombar uma porta.”
Então, um governo provisório e um texto conclamando a proclamação são enviados para todo o país, saudando a República e seus primeiros líderes – que não surgira de uma revolução, e sim de um golpe, mas que não representou um retrocesso, e sim uma nova esperança para um povo excluído do cenário político do Brasil. Ah, quase esqueci: a família real foi exilada durante a madrugada do dia 16, evitando qualquer contragolpe por parte dos monarquistas. Dom Pedro II saiu com um misto de fúria quando soube do seu exílio imediato: “Não sou negro fugido. Não embarco nessa hora.” E também frases prontas, inspiradas nas suas leituras sobre Napoleão – “Abandono este país que tanto amei” – e blá blá blá… E assim a monarquia embarcava para Portugal durante a madrugada.
Resumindo, o processo de ruptura política no país foi resultado da mudança das forças dominantes: a era dos barões do café fluminense dava lugar à dos republicanos paulistas que, associados “provisoriamente” aos militares, fundavam um novo tipo de governo. Foi um golpe que culminou numa proclamação, formando um governo provisório composto destes membros:
Marechal Manoel Deodoro da Fonseca — Chefe do governo provisório.
Aristides da Silveira Lobo — Ministro do Interior.
Ruy Barbosa — Ministro da Fazenda e encarregado da Justiça.
Tenente-coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães — Ministro da Guerra.
Chefe da esquadra Eduardo Wandenkolk — Ministro da Marinha.
Quintino Bocayuva — Ministro das Relações Exteriores e, interinamente, da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
Dr. Campos Salles — Ministro da Justiça.
Dr. Demétrio Ribeiro — Ministro da Agricultura.
E, na manhã de 16 de novembro, os jornais começavam a publicar o texto da proclamação, assim como contavam o episódio com muito heroísmo e populismo embarcado. A República dos Estados Unidos do Brasil nascia numa conjuntura internacional que favorecia a ideia de República; não esqueçamos que a maior delas estava no norte do continente e, na Europa, a República Francesa comemorava o centenário da Revolução. E por aqui, o que vai acontecer? Essa é uma longa história, mas eu contarei ela por aqui também.



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