21 de abril de 2026

Autor: João Henrique Couto Scotto

A REVOLUÇÃO IRANIANA: O massacre na praça de jaleh em "1979 REVOLUTION: BLACK FRIDAY"

O jogo 1979 Revolution é bem curtinho e tem uma narrativa bem legal, focada nas manifestações de setembro de 1978 contra o governo do Xá Mohammed Reza Pahlevi. Esta história está centrada num personagem chamado Reza Shirazi, um aspirante a fotógrafo que chegava da Alemanha. Ele é influenciado por seu amigo de infância Babak Azadi, um ativista pacifista, a fotografar a Revolução que estava por vir. A partir daí, nós temos uma escalada nos protestos e na participação de Reza, que acaba sendo preso e torturado, como percebemos na primeira cena do jogo.

O povo nas ruas, as motivações para a Revolução

A narrativa do jogo é centrada em Reza, que participaria ativamente dos protestos de 1978 que culminaram na Revolução Iraniana. E aqui é legal perceber que o foco do jogo está num destes episódios revolucionários, chamado no game de Sexta-Feira Negra, mas que também podemos abordar como o Massacre na Praça de Jaleh.

O próprio jogo tenta demonstrar as motivações para o povo nas ruas, onde basicamente reproduz uma linha histórica bastante sólida, baseada no descontentamento com o regime do Xá por parte das classes trabalhadoras, que viviam pressionadas com o aumento do custo de vida em contraponto com a concentração de renda pela classe privilegiada do Irã. O jogo não exclui o papel religioso na revolução, abordando as rezas públicas e as manifestações de líderes religiosos importantes como o Aiatolá Khomeini e o Aiatolá Shariatmadari — este, como um personagem mais pacificador do processo, por exigir a não violência.

Mesmo assim, o foco das manifestações se concentra nas demandas econômicas dos trabalhadores, inclusive com a abordagem das greves realizadas em diversos setores, mas principalmente no petroleiro. E aqui começa nossa análise primária, onde podemos questionar os elementos que permitiram a aglomeração de tantas pessoas (cerca de 10% da população iraniana) apenas nas manifestações de setembro.

Historicamente, o Irã sempre esteve na mira do imperialismo e, claro, não vou me estender muito, a razão por um público tão grande nas manifestações é resultado da influência que o imperialismo tinha dentro do Irã. O governo de Reza Pahlevi tinha um apoio consensual de EUA, China e até mesmo da URSS, devido a seu papel na exportação do petróleo mundial. Falando na exportação do petróleo, havia um grande controle estadunidense nesse processo, garantido desde 1953 quando os EUA retiraram o nacionalista Mosaddegh do poder, facilitando o controle total do país para a monarquia.

Na década de 1970, há uma crise do petróleo e o seu preço dispara, beneficiando a concentração de riqueza no Irã e a urbanização. Estes aspectos se tornam um problema, pois junto a estes vem a percepção de péssimas condições de vida e a fome, já que a grande migração para as cidades (só Teerã teve um acréscimo de 1 milhão de pessoas) torna a agricultura local insuficiente — o Irã é obrigado a importar alimentos do exterior. Esta condição social no Irã da década de 1970 é muito bem expressada em Coggiola (2007, p. 63):

Em apenas dois anos, os aluguéis em Teerã aumentaram 300%. Uns poucos fizeram grandes fortunas graças à especulação imobiliária; a inflação, no entanto, afetou duramente os trabalhadores, os camponeses e a pequena burguesia urbana. Com a migração dos camponeses para a cidade, a população urbana dobrou e atingiu 50% do total. Teerã passou de 3 milhões para 5 milhões de habitantes entre 1968 e 1977, enquanto brotavam quarenta favelas na periferia da cidade.

O que eu apresentei até aqui são os elementos socioeconômicos que se revelavam cruéis para grande parte da população iraniana, mas, além disso, nós temos o fator religioso, que no final das contas será o elemento decisivo para a transformação do regime.

O regime do Xá Reza Pahlavi empreendia um grande esforço para controlar a sociedade, especialmente o islamismo. Uma das estratégias foi aumentar a relação histórica do regime com o pré-islamismo, ou seja, o próprio havia vinculado o reino do Irã à monarquia persa nos tempos de Ciro. Claro que houvera outras ações mais diretas, como o banimento do calendário lunar islâmico e o aumento da censura a obras religiosas, como já funcionava para o marxismo. Em conjunto a isso, o Xá Reza Pahlavi aumentava drasticamente seu poderio militar, com compras de armamentos que chegavam a cifras de 12 bilhões entre 1972-1978 (mais de 100 bilhões atualmente). Dentro dos aparatos de repressão estava a famosa polícia política SAVAK, que abordaremos mais tarde.

Assim como o jogo mostra, naquele tempo nós temos importantes clérigos que combatiam o domínio da monarquia do no Irã. O mais famoso de todos era Khomeini, que na década de 1960 havia sido enviado ao exílio por ter acusado o de ser subserviente aos EUA e a Israel. Khomeini pregava a necessidade dos governantes terem amplo conhecimento sobre a Sharia (as leis de Deus) para poder aplicá-las corretamente; por isso, para Khomeini, apenas um governo clerical conseguiria proteger o povo da injustiça, opressão, corrupção e da invasão de nações e culturas anti-islâmicas no Irã. Observem que no começo do jogo o Babak entrega uma fita cassete ao Reza, essa era uma das formas de difusão dos sermões de Khomeini no Irã, proibidos pelo governo — os livros de Khomeini também entravam clandestinamente no país.

Um outro líder religioso que se destacou foi Ali Shariati. Ele pregava que a hierarquia clerical era corrupta, devido à sua relação com os grandes proprietários de terra, e por isso estava corrompida. Além da crítica ao clericalismo (posição de Khomeini), Ali Shariati era fortemente crítico ao colonialismo africano e que também se manifestava em Israel; ele inclusive traduziu para o farsi os escritos de Che Guevara e Frantz Fanon. A morte de Shariati ocorreu em 1977 e foi um duro golpe para seu grupo de resistência, baseado num socialismo islâmico — ele morreu precocemente no Reino Unido em 1977, com 44 anos.

O Estopim

Em 8 de janeiro de 1978, Khomeini, que estava exilado no Iraque. Eram diversas acusações sobre a sua moralidade e também acusações de traição, onde Khomeini era chamado de “agente britânico”. Com isso, diversos manifestantes saem às ruas na cidade de Qom, pedindo não só o retorno de Khomeini, mas reforçando outras demandas, como a reabertura do Seminário de Fayzieh, libertação de prisioneiros políticos, liberdade de imprensa e outras demandas que exigiriam uma transformação estrutural do regime. Ao chegarem na frente da delegacia da cidade, os manifestantes sofrem severa repressão policial e há diversos estudantes mortos; estima-se que esse número pode ter chegado a 100 mortos.

A partir desse episódio, o martírio passaria a ser o grito de guerra e 40 dias após o evento, o então aiatolá Shariatmadari (líder religioso dentro do Irã) convoca uma greve geral, e com isso os conflitos aumentam. Em março, outra greve eclode e o próprio Xá Reza Pahlavi decide ficar no país e acompanhar as ações da sua polícia de choque. Até mesmo a casa de Shariatmadari é invadida para prender e matar alguns estudantes. O governo alegou 22 mortes nessas greves, enquanto os manifestantes diziam ser 250. Se vocês observarem, no jogo muitas vezes é o Shariatmadari que é mencionado, principalmente ao vincular o movimento à necessidade de pacificação.

Em 19 de agosto, na cidade de Abadan, o Cinema Rex passava um filme chamado Gavaznha (o Veado); a narrativa do filme abordava a dependência de drogas e a pobreza. Naquele dia, um grupo fechou as portas do cinema e ateou fogo no mesmo, matando cerca de 400 espectadores. O massacre no Cinema Rex mobilizou a população local que prontamente acusou o chefe de polícia (o mesmo responsável pelos massacres de Qom). Durante o funeral, mais de 10 mil pessoas saíram às ruas e marcharam gritando contra o governo do , mostrando que a tragédia humana aumentou ainda mais o sentimento antimonárquico que tomava as ruas do país.

Massacre na Praça de Jaleh

O seu texto está excelente e muito bem fundamentado. Ele consegue transitar entre a análise do jogo (1979 Revolution: Black Friday) e a precisão histórica que você busca para o seu doutorado e para o laboratório. A menção ao Corriere della Sera e a Foucault traz uma camada de densidade intelectual que enriquece muito a narrativa.

Fiz os destaques em negrito para pessoas e itálico para lugares e estrangeirismos, mantendo sua escrita original e apenas ajustando pontuação e crases necessárias para a fluidez:


Se voltarmos para o jogo, perceberemos que Reza é pego pela polícia no dia 7 de setembro de 1978 e só não é detido porque seu irmão é um oficial da polícia e acaba o livrando da prisão. Existia um clima de tensão nas ruas de Teerã desde o dia 4 de setembro, pois desde o fim do Ramadã, os manifestantes haviam retornado às ruas para protestar, mesmo com o declarando lei marcial e proibindo as manifestações.

Reza Shirazi é o protagonista da nossa história, e ao retornar da Alemanha, é incitado por seu amigo Babak a fotografar os acontecimentos ocorridos nas manifestações de setembro em Teerã. O jogo mostra algumas particularidades dentro destes grupos opositores do regime do , pois entre eles haviam marxistas, socialistas, religiosos; porém, o jogo demonstra uma grande massificação unida, onde nós interagimos na sede do movimento, localizado no Cinema Radio City — e aqui é importante deixar claro — nunca houve uma base de qualquer movimento neste cinema, que realmente existiu e era um dos mais prestigiados da capital. No jogo, percebe-se uma ambiguidade dentro dos grupos de resistência, mas prevalece a ideia de que o grupo era marxista, por isso é importante destacar os grupos de resistência ao governo do .

Os grupos opositores ao regime eram variados, mas ideologicamente imperava o islamismo e em segundo plano o marxismo. Além do grupo de Khomeini — o maior de todos — existiam grupos que resistiam de forma armada ao regime, como os Fedayeen-e Khalq (marxistas armados) e os Mujahedin-e Khalq (marxistas islâmicos). Durante o jogo, nós percebemos posições ideológicas diferentes entre os protagonistas: Babak tinha uma personalidade mais pacifista, enquanto Bibi (a protagonista feminina) era uma liderança organizacional, provavelmente socialista. Já o Ali (primo de Reza) tinha uma natureza mais voltada ao conflito, como os Fedayeen. Enfim, no jogo não há uma divisão entre os vários movimentos que resistiam ao governo do .

O Reza é um fotógrafo cujo objetivo central é dar vida ao evento através das suas imagens. Na história, muitos jornais internacionais tentaram fazer a cobertura dos eventos do Irã, e um dos destaques foi o jornal italiano Corriere della Sera — cujo proprietário havia traduzido Foucault e a sua obra A História da Loucura, e por isso, havia tido a ideia de contratar diversos intelectuais para cobrir o evento — o próprio Foucault foi para o Irã e pôde perceber os acontecimentos in loco. Especificamente no dia 8 de setembro, Foucault não estava presente; porém, ele foi uma interessante testemunha ocular dos desdobramentos do Massacre na Praça de Jaleh.

Na capital do país, Teerã, os manifestantes iniciaram o dia se concentrando para continuar as manifestações que ocorriam desde o dia 4 de setembro; muitos destes manifestantes demonstravam descontentamento com a aproximação do governo do com o ocidente, especialmente com os EUA e Israel — no qual Khomeini fazia fortes críticas mesmo no exílio. É difícil encontrar uma estimativa sobre o número de manifestantes que se concentraram na Praça de Jaleh em Teerã — atualmente chamada de Praça dos Mártires — alguns estudos apontam entre 5 a 10 mil manifestantes. Aliás, como o Massacre na Praça de Jaleh foi um evento de não-retorno, ou seja, a partir dali o governo do não conseguiu mais intermediar qualquer acordo com os manifestantes, nós temos uma verdadeira “batalha de narrativas” sobre o episódio, até porque a história oficial vai apontar 4 mil mortes naquele dia, enquanto Foucault e outros jornalistas apontaram de 1 até 2 mil mortes. Alguns estudos, como o do historiador Emad al-Din Baghi, vão apontar cerca de 84 mortes neste dia, baseado no cruzamento de dados e até mesmo nos enterros realizados no período. Enfim, a inflação no número de mortos na praça não altera a postura de confronto entre manifestantes e o governo do , que na época alegou ter 70 policiais mortos por manifestantes, já que estes também andavam armados e muitos tinham treinamento militar vindo da OLP, pois na época a Organização para a Libertação da Palestina visava sua luta a partir das armas.

Independente do número de mortos, nós podemos concluir que o Massacre da Praça de Jaleh, também conhecido pelos iranianos como a Sexta-Feira Negra, acabou sendo um desastre humanitário e político para o governo do Xá Reza Pahlavi, já que o evento demonstrou o que já abordei como ponto de não retorno. No jogo, nós percebemos a repressão policial através dos tiros que vitimam o amigo do personagem Reza, o Babak, que morre agonizando após ser baleado.

O Aparato de Repressão da Monarquia

Para quem viu a gameplay ou jogou, vai perceber que havia um forte aparato de repressão governamental, seja a partir da polícia armada e combativa nas ruas, seja a partir da tortura realizada sobre os personagens de Reza e do seu irmão, sendo estas ações o pano de fundo para a narrativa do jogo se desenvolver. É interessante observar a cobertura jornalística feita por Foucault na época, pois ele já especulava que 1/3 do dólar oriundo da exportação de petróleo era destinado às armas; segundo ele, havia quatro “exércitos” no Irã:

[…] o exército tradicional, encarregado, sobre todo o território[…] a guarda pretoriana do xá, corpo de janízaros fechado sobre si mesmo, com seu recrutamento, suas escolas, seus bairros de moradia, alguns construídos por uma sociedade francesa: o exército de combate, com armamento às vezes mais sofisticados do que aqueles que dispõe o exército americano. E depois, 30 ou 40 mil conselheiros americanos. (Foucaut, 1978, p.214-215)

A análise de Foucault sobre as armas do Irã se encerraria com a afirmação de que não havia uma ideologia dentro destas forças; porém, veremos no final do processo revolucionário que havia ideologia impregnada nas forças armadas e essa aparecerá no ápice da Revolução. Além deste poderoso aparato militar, havia uma polícia política bem ativa — tanto no jogo como na história — e o nome desta polícia política era SAVAK (Sāzemān-e Ettelā’āt va Amniyat-e Keshvar), que em bom português significa Organização de Inteligência e Segurança Nacional. O SAVAK tinha por volta de 5 mil agentes; além disso, estima-se que eles recrutaram como informantes 1 a cada 450 homens. Esta era uma força que fazia parte de todo o aparato de terror e repressão construído por Reza Pahlavi, e este órgão era o responsável pela censura, tortura, prisão e morte dos opositores.

E desta forma se torna importante situar o SAVAK, porque no próprio jogo nós começamos numa prisão de Evin, largamente utilizada pelo SAVAK para prender e torturar ativistas comunistas. Lá, nós vemos Reza sendo torturado durante o seu interrogatório. O torturador foi um personagem real, chamado de Asadollah Lajevardi, que durante a revolução foi preso e torturado pelo SAVAK e posteriormente se tornou chefe da prisão de Evin, ficando conhecido como o “açougueiro de Evin“. Essa relação mostra que a estrutura e os métodos existentes na época do permaneceram mesmo após a Revolução, tornando-se um instrumento do governo do aiatolá.

Para quem viu o jogo e conhece um pouco a história da ditadura militar brasileira, vai perceber que os métodos e instrumentos utilizados no interrogatório do nosso personagem Reza são similares aos realizados nos diversos DOI-CODI do Brasil durante a ditadura. O uso extensivo do choque (como a pimentinha, o bastão utilizado no jogo), as agressões e a tortura psicológica com ameaça de companheiros e cruzamentos de perguntas durante o interrogatório não são mera coincidência, pois estes “manuais” de tortura eram oriundos do ocidente, principalmente dos EUA.

Fim do Jogo e a Revolução

Alerta de Spoiler!

Se vocês jogaram ou assistiram à gameplay, vão perceber que o fim do jogo é trágico: tirando a personagem feminina Bibi, os demais são mortos e o contexto da Revolução fica em segundo plano; a tortura e violência do novo regime se sobrepõem. Na verdade, a escolha narrativa do jogo procura focar nas permanências da Revolução Iraniana, como a violência e repressão do novo regime, do que na própria ideia de revolução e transformação daquela sociedade — que buscava se desvincular do imperialismo ocidental. Tanto é que você vai perceber que o jogo chamado 1979 Revolution não se passa naquele ano; a tortura ocorre em janeiro de 1980 e os eventos narrados são de 1978. O principal tema — a Revolução Iraniana — passou batido. Talvez o jogo tenha sido produzido ainda a partir do viés ocidental, baseado na ideia de democracia e direitos humanos, até porque o criador do jogo — Navid Khonsari — é um exilado do governo do nos EUA.

Na verdade, o evento do massacre na Praça de Jaleh, ou Sexta-Feira Negra numa tradução literal do farsi, é o momento de não-retorno, onde a Revolução toma um rumo no qual não é mais possível haver qualquer acordo. Em novembro daquele ano, diversas greves vão irromper no Irã, principalmente no setor petrolífero, e em 11 de dezembro, uma grande manifestação ocorre na Praça Shahyad em Teerã (durante o festival xiita de Ashura); mais de 2 milhões de pessoas se manifestaram pedindo a expulsão das potências ocidentais e do .

A partir daí, o regime monárquico entra em colapso e o Xá Reza Pahlavi vai para o exílio em 16 de janeiro de 1979, enquanto duas semanas depois mais de três milhões de pessoas esperavam a chegada de Khomeini do seu exílio no Iraque. Em 11 de fevereiro, a mensagem histórica era transmitida pela Rádio Teerã: “Esta é a voz do Irã, a voz do verdadeiro Irã, a voz da Revolução Islâmica.” (Benjamin, 2018, p.57).

Referências Bibliográficas

BAGHI, Emad al-Din. Casualties of the Iranian Revolution. [S. l.], 2003. Disponível em: https://www.emadbaghi.com/en/archives/000592.php. Acesso em: 21 abr. 2026.

BENJAMIN, Medea. Por dentro do Irã: a história real e a política da República Islâmica do Irã. São Paulo: Autonomia Literária, 2018.

COGGIOLA, Osvaldo. A Revolução Iraniana. São Paulo: Editora Unesp, 2008. (Coleção Revoluções do Século 20).

FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos VI: repensar a política. Organização de Manoel Barros da Motta. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

KHOSHNOOD, Arvin; KHOSHNOOD, Ardavan M. Black Friday revisited: disinformation, misinformation, and the politics of memory at Tehran’s Jaleh Square. Cogent Social Sciences, [S. l.], v. 11, n. 1, p. 1-22, 2025. DOI: 10.1080/23311886.2025.2592910. Disponível em: https://doi.org/10.1080/23311886.2025.2592910. Acesso em: 21 abr. 2026.