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Aula 2
História do Brasil: América Portuguesa e a perspectiva Decolonial
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Neste segundo módulo nós vamos observar a História do Brasil sob duas perspectivas, a primeira, chamada de Decolonial, ou seja, vamos valorizar as populações indígenas com relação ao encontro com as populações europeias. Num segundo momento, nossa análise será baseada na história tradicional da América Portuguesa ou Brasil Colonial, melhor dizendo, um período entre 1500 vulgarmente chamado de Descobrimento até a chegada da Família Real em 1808.
O Brasil sob a perspectiva Decolonial
Questões (ENEM)
Laboratório de História - Brasil Decolonial e Povos Originários
Missão: Brasil Decolonial
Historiografia, Etnocentrismo e os Povos Originários no Século XVI
ENEM 2016
TEXTO I: Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro. (SCHWARTZ, S. B. Pensando o Brasil. São Paulo: Senac, 2000)
TEXTO II: Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas. (SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005)
Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da:
(A) concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado.
(B) percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias.
(C) compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados.
(D) transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval.
(E) visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza.
A generalização do termo "índio" apagou a rica diversidade linguística e cultural dos povos originários (como as diferenças gritantes entre Tupinambás e Astecas). O apagamento de identidades é a principal ferramenta do etnocentrismo colonial.
UFMG - Modificada
“A língua de que [os índios] usam, toda pela costa, é uma: ainda que em certos vocábulos difere em algumas partes; mas não de maneira que se deixem de entender. (...) Carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei, e desta maneira vivem desordenadamente (...)."
GANDAVO, Pero de Magalhães. História da Província de Santa Cruz, 1578.
A partir do texto, pode-se afirmar que todas as alternativas abaixo expressam a relação dos portugueses com a cultura indígena no século XVI, EXCETO:
(A) A busca de compreensão da cultura indígena e de seus arranjos políticos era uma preocupação central do colonizador.
(B) A suposta desorganização social dos indígenas se refletia no idioma, segundo a interpretação do cronista.
(C) A diferença cultural entre nativos e colonos era frequentemente reduzida à inferioridade do indígena.
(D) A língua dos nativos era lida como uma manifestação de suas faltas espirituais e civilizacionais.
(E) Os códigos de conduta dos nativos eram avaliados e julgados unicamente a partir da moralidade e da política europeias.
A alternativa A é a única incorreta. Os europeus não buscavam "compreender" os povos nativos; eles os julgavam a partir da ausência das instituições europeias (Estado, Monarquia, Cristianismo). A famosa citação de Gandavo exemplifica a negação da complexidade social dos Tupi-Guarani.
Unicamp (Vestibular Indígena) / Estuda.com
O Manto Tupinambá é um objeto sagrado utilizado em alguns rituais de povos tupis que ocupavam a costa brasileira entre os séculos XVI e XVII. Nenhum dos poucos mantos originais estava no Brasil até o seu recente retorno da Dinamarca. Para a antropóloga e liderança Glicéria Tupinambá: "O manto sagrado, para mim e para os outros anciões, é uma força ancestral, uma força espiritual, mas também um ser vivo (...) É como se fosse um ser que vem para nos orientar, fortalecer e demarcar nosso território”.
Do ponto de vista decolonial, sobre a importância do artefato indígena e seu processo de repatriação, assinale a alternativa CORRETA.
(A) O manto Tupinambá, por ser um símbolo espiritual, não deve ser exposto como documento histórico, ao contrário das cerâmicas e cestarias tradicionais.
(B) A devolução do manto representa a reconstituição da cultura "primitiva" brasileira, apagada pelo progresso inevitável do século XIX.
(C) A repatriação do artefato representa tanto o resgate de uma memória e agência ancestral Tupi, quanto o tensionamento dos saques promovidos pelo colonialismo europeu.
(D) O resgate desse artefato sinaliza o interesse do Estado contemporâneo em investir no turismo patrimonial de forma reparadora.
(E) O retorno do manto apaga a necessidade de estudar os cronistas europeus do século XVI, já que a cultura material se explica por si mesma.
Os objetos levados para a Europa durante o período colonial não foram meras "lembranças"; foram saques. A repatriação de itens sagrados, como o Manto Tupinambá, é uma das pautas centrais da Historiografia Decolonial, devolvendo a agência espiritual e histórica às populações indígenas do presente.
VUNESP 2025
Ao descrever as comunidades tupinambá e tupiniquim, Hans Staden comentou: “Cada um obedece ao principal da sua cabana. O que o principal ordena é feito, não a força ou por medo, porém de boa vontade”.
E como a curiosidade do homem europeu em procurar saber é tão natural, perguntavam aos nativos: "Como não conservaram suas cores? Como chegaram a degenerar seus costumes? Como alguns dos seus, especialmente os tapuias, chegaram a um estado tão grosseiro que se pode duvidar se eles nasceram de homens, ou se são indivíduos da espécie humana?" (Adaptado de: Vasconcelos, Simão. Crônica da Companhia de Jesus, 1668).
Analisando as narrativas europeias sobre os indígenas no Brasil colonial, é correto afirmar que:
(A) A visão europeia sobre os povos indígenas foi de valorização estrutural, entendendo-os como equivalentes civilizacionais desde os primeiros contatos no século XVI.
(B) Os exploradores compreenderam a complexidade política Tupinambá, baseada no consenso e na tradição, adotando-a posteriormente em suas vilas costeiras.
(C) A visão colonial foi fortemente etnocêntrica, considerando o modo de vida nativo inferior e chegando a questionar a própria humanidade daqueles que divergiam do modelo cristão e mercadológico.
(D) As crônicas de viajantes como Hans Staden foram escritas sob uma ótica decolonial militante, buscando denunciar a exploração da escravidão imposta pela Coroa.
(E) A religião anulou o antagonismo cultural: a partir do momento em que foram catequizados, indígenas e colonos passaram a compartilhar os mesmos direitos sociais e políticos na América Portuguesa.
As crônicas dos séculos XVI e XVII mediam o mundo com uma régua exclusivamente europeia. A ausência de estado coercitivo, acúmulo de capital e roupas era lida não como uma outra forma de organização social (como bem mostra o cacicado), mas como "selvageria" ou falta de humanidade.
FUVEST
"Os primitivos habitantes do Brasil foram vítimas do processo colonizador. O europeu, com visão de mundo calcada em preconceitos, menosprezou o indígena e sua cultura. A acreditar nos viajantes e missionários, a partir de meados do século XVI, há um decréscimo drástico da população indígena, que se agrava nos séculos seguintes."
Sob uma perspectiva histórica crítica, os fatores estruturais que mais contribuíram para o citado decréscimo demográfico dos povos originários foram:
(A) a captura e a exportação em massa de nativos para o trabalho nas minas de prata do Potosí, na América Espanhola.
(B) as guerras e inimizades intertribais (como entre Tupiniquins e Tupinambás), ocorridas de forma totalmente desvinculada das alianças com franceses e portugueses.
(C) o canibalismo e o sentido mítico das práticas rituais, que dizimavam aldeias inteiras em sacrifícios para a estabilidade cósmica.
(D) as missões jesuíticas localizadas no vale amazônico e a violenta exploração do trabalho indígena na extração da borracha.
(E) as epidemias introduzidas pelos invasores (guerra bacteriológica), a expropriação de territórios e a violenta escravização dos nativos pelas chamadas "guerras justas".
O mito do "encontro pacífico" é refutado pelas epidemias (gripe, varíola), pelo genocídio e pelo trabalho forçado em engenhos. A Coroa permitia a escravidão indígena mascarada através do instituto da "Guerra Justa" contra tribos que se recusassem a aceitar a dominação luso-cristã.