Por uma prática emancipatória
No Laboratório de História e Jogos (LHJ), o jogo não é tratado como mero recurso didático ou ferramenta pedagógica auxiliar, mas como um objeto cultural em si, atravessado por disputas de sentido, valores históricos e formas específicas de relação com o mundo. O ponto de partida é reconhecer que o jogo possui múltiplas definições possíveis, mas que algumas características são recorrentes: a voluntariedade da participação, a delimitação de um tempo e de um espaço próprios, a presença de regras e a criação de uma realidade distinta da vida cotidiana.
Essa separação do cotidiano não significa neutralidade. Ao contrário, o jogo produz uma experiência de fuga controlada, na qual o jogador se afasta momentaneamente da realidade social imediata, mas carrega consigo seus valores, expectativas e contradições históricas. É nesse deslocamento que o LHJ identifica o potencial crítico do jogo: ao mesmo tempo em que ele pode reforçar narrativas dominantes, também cria fissuras que permitem problematizar o passado e o presente.
No LHJ, jogar é entendido como uma prática que precede a análise histórica, e não como seu simples complemento. A experiência lúdica gera estranhamentos, silêncios, ausências e escolhas que, ao serem confrontadas com o conhecimento histórico, produzem novos problemas de pesquisa. O jogo, portanto, não “ensina História” por si só, mas cria condições para que a História seja pensada a partir da experiência concreta do jogar.
Assim, o jogo no LHJ ocupa um lugar metodológico específico: ele é simultaneamente experiência, objeto de análise e produtor de problemas históricos. Ao retornar da experiência lúdica para a reflexão histórica, o que interessa não é validar o jogo como representação fiel do passado, mas explorar as tensões entre o que o jogo mostra, o que oculta e o que permite imaginar — transformando o ato de jogar em um exercício crítico de pensamento histórico.
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No Laboratório de História e Jogos (LHJ), o Eixo da História propõe pensar o jogo como um verdadeiro objeto de pesquisa histórica, e não apenas como ferramenta ou recurso didático. Isso significa que os jogos — sejam RPGs, jogos de estratégia ou outros — passam a ser vistos como “vestígios do passado” capazes de revelar narrativas, escolhas, silêncios e representações sobre o mundo e o tempo histórico, assim como qualquer outra fonte histórica pode ser interrogada criticamente.
Dentro dessa perspectiva, os RPGs são destacados não por sua capacidade de entretenimento, mas por sua potência narrativa e reflexiva: eles convidam os estudantes a construir histórias coletivas, escolher trajetórias de personagens e questionar as implicações dessas escolhas no contexto histórico, ampliando a compreensão dos eventos e dos processos sociais e culturais. Ao experimentar conceitos como tempo, democracia, revolução ou civilização dentro da dinâmica dos jogos, os participantes conseguem relacionar essas ideias às práticas sociais e históricas, ao mesmo tempo em que problematizam as representações simplificadas ou idealizadas que os jogos frequentemente apresentam.
Essa abordagem, portanto, não se limita à análise superficial das temáticas presentes nos jogos, mas busca desconstruir ideologias e valores subjacentes, questionando o modo como o passado é representado e abrindo espaço para novas perspectivas e debates históricos. Ao transformar o jogo em um ponto de partida para a reflexão crítica, o Eixo da História reforça a ideia de que a experiência lúdica pode ser tensionada pela teoria e pela investigação, promovendo uma prática historiográfica que conecta a vivência do jogar com a produção de conhecimento histórico.
No Laboratório de História e Jogos, o eixo pedagógico coloca o estudante no centro do processo educativo, compreendendo-o como um ser histórico, inacabado e inserido em uma realidade material que não escolheu, mas que pode transformar por meio da reflexão e da ação. Ele não é um receptor passivo de conteúdos, mas um sujeito social influenciado pelas condições econômicas e culturais que o cercam, com potencial de agir sobre o seu mundo de maneira crítica e consciente. Essa perspectiva humaniza a educação e rompe com a lógica tradicional de transmissão de informações, valorizando a experiência, a problematização e a atuação reflexiva dos alunos.
A orientação pedagógica do LHJ está inspirada em tradições críticas da educação, como a pedagogia libertadora de Paulo Freire e a pedagogia histórico-crítica de Saviani, que veem o processo educativo como uma prática de conscientização e emancipação. Nesse sentido, ensinar História a partir dos jogos não é usar uma ferramenta lúdica para fixar conteúdos, mas sim articular a prática pedagógica com a reflexão sobre a própria realidade dos estudantes, permitindo que compreendam as relações sociais e históricas que moldam suas vidas e que desenvolvam a capacidade de intervir nelas de forma crítica.
O eixo pedagógico orienta, portanto, toda a prática do LHJ para além da simples aprendizagem de conteúdos: ele estimula a problematização, a reflexão e a ação transformadora. Ao focalizar a condição social e histórica dos alunos, essa abordagem faz da educação um espaço de resistência e emancipação que responde às necessidades concretas das realidades estudantis, conectando o jogo, a experiência lúdica e o pensamento crítico como partes integradas de um processo educativo comprometido com a transformação social.
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No Laboratório de História e Jogos, o conceito de laboratório ultrapassa a ideia de um espaço físico destinado ao uso de jogos e passa a ser compreendido como um lugar-conceito de aprendizagem e investigação histórica. Trata-se de um espaço em que a experiência lúdica é constantemente tensionada pela teoria e pela reflexão crítica, permitindo que o ato de jogar seja transformado em problema histórico. Jogar, investigar e refletir não aparecem como etapas separadas, mas como dimensões integradas de um mesmo processo de produção do conhecimento histórico.
Esse laboratório se materializa especialmente nas Feiras de História e Jogos, onde jogos digitais, de tabuleiro e analógicos deixam de ser vistos como entretenimento ingênuo e passam a ser tratados como objetos de pesquisa histórica. A experiência lúdica vivida pelos estudantes é retomada de forma crítica, a partir da análise de narrativas, silêncios, escolhas de design e representações do passado, articulando pesquisa, escrita, oralidade e criação como práticas históricas concretas.
O laboratório também se estende a outras práticas formativas, como os Seminários de História e Jogos, que valorizam a exposição oral, o debate e o confronto de interpretações. Nesses espaços, os estudantes exercitam a argumentação histórica e a escuta crítica, discutindo as implicações ideológicas presentes nos jogos e nas produções desenvolvidas ao longo do processo. O jogo, assim, deixa de ser apenas uma linguagem de acesso e passa a se constituir como linguagem histórica e ponto de partida para a investigação.
Outra dimensão fundamental desse laboratório é a Revista História e Jogos, que funciona como espaço de sistematização, socialização e circulação das pesquisas desenvolvidas a partir da experiência lúdica. A revista não opera como simples repositório de resultados, mas como extensão do próprio laboratório, onde a reflexão escrita, o debate historiográfico e a autoria estudantil ganham forma pública, consolidando o jogo como objeto legítimo de investigação histórica.
O canal do YouTube integra esse mesmo movimento ao registrar e problematizar a experiência do jogar em tempo real. As gameplays comentadas não têm como objetivo explicar o passado ou validar representações históricas, mas expor a experiência lúdica em sua contradição, evidenciando escolhas, limites, silêncios e tensões que emergem durante o jogo. O canal funciona, assim, como espaço de experimentação pública, no qual a prática precede a análise e produz novos problemas históricos a serem investigados.
Dessa forma, o Laboratório de História e Jogos não se limita ao uso pedagógico dos jogos, mas se afirma como um ambiente investigativo e formativo, no qual a experiência lúdica é convertida em reflexão histórica crítica. O laboratório se consolida, assim, como um espaço de produção de conhecimento, de problematização do passado e de formação de sujeitos capazes de pensar historicamente a partir de suas próprias experiências.
As Feiras de História e Jogos são espaços pedagógicos e de pesquisa em que jogos de tabuleiro, digitais e analógicos são utilizados não como entretenimento ingênuo, mas como objetos de investigação histórica crítica. Nelas, estudantes transformam a experiência lúdica em problema histórico, analisando narrativas, silêncios, escolhas de design e representações do passado presentes nos jogos, articulando pesquisa, escrita, oralidade e criação. A feira rompe com a lógica da simples exposição de trabalhos prontos e se afirma como um laboratório público de História, onde o jogo é tensionado pela teoria, pela realidade social e pela contradição histórica, produzindo conhecimento, reflexão e autoria estudantil.
O acesso aos jogos muitas vezes dificulta qualque tipo de análise, pois além de saber jogar, o pesquisador deve poder jogar, e a falta dificuldade econômica em geral no Brasil impede a possibilidade de acesso a diversos jogos. Desta maneira, o Canal História e Jogos no youtube, mostra as gameplays de jogos com contexto histórico e se possível, as pesquisas desenvolvidas a partir destas práticas. Aqui, você pode acessar o Canal e visualizar os jogos e as mais variadas possibilidades de pesquisa que desenvolvemos.
O Seminário de História e Jogos é um espaço de socialização intelectual e aprofundamento crítico das pesquisas desenvolvidas por estudantes a partir da prática com jogos e outras linguagens culturais. Seu objetivo é tensionar a experiência lúdica com a teoria da História, promovendo apresentações orais, debates e confrontos de interpretações sobre narrativas históricas, silêncios, escolhas ideológicas e problemas historiográficos presentes nos jogos e nas produções dos alunos. O seminário valoriza a argumentação, a escuta e a reflexão coletiva, consolidando o jogo como linguagem histórica e como ponto de partida para a pesquisa e o pensamento crítico.
Já a Feira das Resistências é um espaço público de exposição, criação e disputa de sentidos históricos, voltado à pesquisa sobre grupos, movimentos e sujeitos que resistiram a estruturas de dominação ao longo do tempo. Nela, os estudantes apresentam trabalhos que articulam História, política, cultura e memória, rompendo com narrativas oficiais e evidenciando conflitos, contradições e experiências silenciadas. A feira se afirma como uma prática pedagógica comprometida com a formação crítica, em que pesquisar, expor e dialogar tornam-se formas de resistência e de construção coletiva do conhecimento histórico.